Paulo Marques *

A Gruta de Colaride abre-se nos calcários Albianos-Cenomanianos (Cretácico), no Alto de Colaride. Trata-se de um colector natural de águas de escorrência, que se desenvolve numa extensão de cerca de 200m e atingindo um desnível da ordem dos 30m de profundidade.

Na realidade, para além das galerias conhecidas, o seu desenvolvimento está associado a evolução da rede cársica, por onde se escoam as águas que ela recolhe e que conduz para níveis inferiores, ressurgindo parte delas na Ribeira de Barcarena, perto da fábrica Cambournac.

A mais antiga referência a esta gruta data de 1463, sendo então referida como «Algar». Nos finais do século XIX, aparecem algumas menções à sua existência, no contexto de diversas intervenções arqueológicas nos terrenos adjacentes que revelaram várias ossadas humanas e objectos de adorno, datados, por Leite de Vasconcelos, da Época Romana.

Já na segunda metade do Século XX, iniciam-se as explorações espeleológicas da gruta. Estas explorações surpreenderam os espeleólogos, não só pelas dimensões que apresentava em calcários daquele género, como também pelo inesperado aparecimento de galerias verticais.

Os estudos, então desenvolvidos, revelaram ainda a existência de uma colónia de morcegos, bem corno a importância das argilas de grande pureza, tidas como de excelente qualidade medicinal.

A partir de meados da década de 70, começaram a surgir os primeiros sinais de degradação e contaminação do complexo subterrâneo, pela ocorrência de descargas de efluentes industriais e domésticos para o seu interior. Na realidade, junto ao sumidouro natural, desemboca uma conduta de águas pluviais, o que só por si não representa qualquer ameaça. Pelo contrário, ela ajudaria à manutenção da sua função de colector, não fosse a utilização abusiva da rede através da ligação ilegal de efluentes não tratados previamente.

Este facto veio subverter por completo a sua função, pois transformou a gruta num veículo de poluição subterrânea, tão prejudicial ao ambiente e mesmo à saúde pública. Tratando-se de uma zona onde ainda predominam as pequenas quintas e hortas familiares, a captação no subsolo de água para regas, estará, por sua vez, a contaminar as culturas com substâncias nocivas e altamente prejudiciais. Assim, a descontaminação das águas que para ali se encaminham, é uma prioridade absoluta, não podendo mais ser negligenciada.

* Espeleólogo da Associação dos Espeleólogos de Sintra



No caso da gruta de Colaride, a Associação Olho Vivo adverte para o grave perigo de pessoas não acompanhadas por especialistas, se aventurarem na sua exploração. A existência de um poço vertical de 11 metros de profundidade (cerca de 4 pisos), representa um risco de vida não negligenciável! Por essa razão, solicitámos já por várias vezes, que a Câmara de Sintra procedesse à colocação de um gradeamento que vede a entrada da gruta a não especialistas, garantindo a segurança pública.



 


Para ficar a conhecer um pouco mais acerca de Colaride, leia a opinião do professor Galopim de Carvalho, director do Museu Nacional de História Natural






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