Colaride encerra um valioso conjunto patrimonial, que nos permite recuar desde os alvores da Pré-História, passando pelo período Romano e Idade Média, até à Idade Moderna. Uma diversidade que transforma este lugar num repositório da longa história da ocupação humana nesta região.








Bifaces em quartzite

Percutores

Existem em Colaride vários sítios arqueológicos do Paleolítico Médio e Superior, onde se podem encontrar variados instrumentos líticos de sílex e quartzite (núcleos, percutores, raspadores, pontas, buris, bifaces e lascas).

Machados

Machados

A presença de numerosos materiais como estes, parece indiciar uma utilização frequente do planalto pelos grupos de caçadores-recolectores do Paleolítico.

Utilizados como martelos e machados (com gume), estes percutores de pedra polida remontam ao período Neolítico.



Instrumentos de corte em pedra lascada do Paleolítico Médio (entre 100 000 a 35 000 anos)

Instrumentos de corte em pedra lascada do Paleolítico Médio (entre 100 000 a 35 000 anos)

Estes aproveitavam a localização elevada do planalto, a visibilidade estratégica do mesmo sobre os vales envolventes e a disponibilidade de água nas proximidades terá oferecido condições ideiais para as primeiras tribos nómadas da região.




Desde a Pré-História...

Na transição do Neolítico para a as primeiras Civilizações pode-se ainda identificar, com diferentes datações segundo a cultura, a região ou o povo, as seguintes Idades : Idade do Cobre, do Bronze e do Ferro.








Molde de foice

Molde talhado em pedra, destinava-se à fundição de lâminas em meia lua, utilizadas para a ceifa dos cereais na Idade do Bronze (séc. VIII a. C.). Trata-se dum exemplar único na arqueologia portuguesa, encontrado em Rocanes (Colaride).

Na Idade do Bronze dá-se uma revolução tecnológica fundamental. O novo material permitia não só o fabrico de instrumentos agrícolas mais eficientes, como o aparecimento de novos armas de caça... e de guerra.

A agricultura levou a uma progressiva sedentarização e ao aparecimento dos primeiros povoados, garantindo uma abundância de alimentos essencial para a especialização das sociedades humanas. Desenvolvem-se várias especializações artesanais. Surgem as primeiras formas de diferenciação social.





A descoberta desta estação arqueológica foi divulgada em 1898 pelo arqueólogo Leite de Vasconcelos.

Villa ou casal agrícola (sec.IV - V d.C.)

Villa ou casal agrícola (sec.IV - V d.C.)

Apesar de ainda pouco explorada, tudo indica tratar-se de uma villa do período tardo-romano. Próximo do local, foi também encontrada uma necrópole (cemitério).

Mais recentemente, aquando das prospecções de emergência motivadas pelas obras do gasoduto, foram descobertas uma oficina de aparelhamento e extracção de pedra e estruturas de habitação.

A villa ou habitação senhorial romana era geralmente rodeada de edifícios mais modestos onde moravam ou trabalhavam os servos e escravos. As explorações agrícolas romanas tinham grande autonomia funcional. Para além da agricultura e pecuária, ali se produziam a maioria dos bens de auto-consumo mais frequente (artesanato) podendo ainda existir pequenas indústrias.

Trabalho agrícola no tempo romano

Trabalho agrícola no tempo romano

A descoberta, em Colaride, de cerâmica sigillata (proveniente da Gália) indicia alguma prosperidade dos seus antigos habitantes.

Apesar da queda do Império Romano e das invasões bárbaras, a organização social e o modo de vida subsistiram ainda por um longo período, mantidos agora à custa da estrutura religioso-administrativa das primeiras paróquias Cristãs.








Casal de Rocanes (Séc. XV)

Casal de Rocanes (Séc. XV)

Este casal, assim designado por se tratar duma exploração agrícola de dimensão familiar, era constituído por habitação térrea, casa do forno, telheiro, pátio, arribana (estábulo) e celeiro.




Maquete do casal de Rocanes

Maquete do casal de Rocanes









Moinho  de Rocanes (Séc. XVIII ou anterior)

Moinho de Rocanes (Séc. XVIII ou anterior)

 

Construção tradicional da arquitectura saloia, trata-se de um engenho de vento destinado à moagem de cereais.

Existem referências desde o séc. XV a um moinho de vento em Colaride, que terá sido um dos primeiros engenhos desse tipo no nosso território.

maqueta do moinho recuperadoMaqueta do moinho recuperado



... até à idade Comtemporânea



 

José Manuel Vargas, Investigador de história local



As condições naturais do pequeno planalto de Colaride foram, desde tempos imemoriais, motivo de fixação de comunidades humanas. Por essa razão, Colaride constitui hoje um repositório das origens histórico-culturais desta região. Vestígios dum passado que merece ser melhor preservado e divulgado!

(clique na foto para ver o texto de opinião)



Agradecimentos: Prof. José M. Vargas, Prof. Macedo Faria, Dr. Rui Oliveira





Futuro Parque     Fauna     Flora     Gruta     Paisagem     Contactos     Localização
Projecto Parque de Colaride - Associação Olho Vivo